segunda-feira, 22 de junho de 2009

2012 –O que diz o Espiritismo

Recebi recentemente um e-mail onde o autor perguntava o que o Espiritismo diz a respeito de 2012 que, “segundo os Maias, seria o ano em que o planeta se tornaria um mundo de regeneração”.

Bem, sobre isso o Espiritismo não diz nada, porque não é ensinamento Espírita, nem encontra em seus postulados esse tipo de informação, senão vejamos:

7ª Podem os Espíritos dar-nos a conhecer o futuro?
Se o homem conhecesse o futuro, descuidar-se-ia do presente.

É esse ainda um ponto sobre o qual insistis sempre, no desejo de obter uma resposta precisa. Grande erro há nisso, porquanto a manifestação dos Espíritos não é um meio de adivinhação. Se fizerdes questão absoluta de uma resposta, recebê-la-eis de um Espírito doidivanas, temo-lo dito a todo momento.

8ª Não é certo, entretanto, que, às vezes, alguns acontecimentos futuros são anunciados espontaneamente e com verdade pelos Espíritos?

Pode dar-se que o Espírito preveja coisas que julgue conveniente revelar, ou que ele tem por missão tornar conhecidas; porém, nesse terreno, ainda são mais de temer os
Espíritos enganadores, que se divertem em fazer previsões. Só o conjunto das circunstâncias permite se verifique o grau de confiança que elas merecem.

11ª Por que, quando fazem pressentir um acontecimento, os Espíritos sérios de ordinário não determinam a data? Será porque o não possam, ou porque não queiram?

Por uma e outra coisa. Eles podem, em certos casos, fazer que um acontecimento seja pressentido: nessa hipótese, é um aviso que vos dão. Quanto a precisar-lhe a época, é freqüente não o deverem fazer. Também sucede com freqüência não o poderem, por não o saberem eles próprios. Pode o Espírito prever que um fato se dará, mas o momento exato pode depender de acontecimentos que ainda se não verificaram e que só Deus conhece. Os Espíritos levianos, que não escrupulizam de vos enganar, esses determinam os dias e as horas, sem se preocuparem com que o fato predito ocorra ou não. Por isso é que toda predição circunstanciada vos deve ser suspeita.
[...] Jamais será enganado aquele que aos Espíritos superiores pedir a sabedoria; não acrediteis, porém, que percamos o nosso tempo em ouvir as vossas futilidades [...].

A Providência pôs limite às revelações que podem ser feitas ao homem. Os Espíritos sérios guardam silêncio sobre tudo aquilo que lhes é defeso revelarem. [...]
[1] (grifos meus)


Ainda podemos encontrar mais esclarecimento nesta transcrição:

868. Pode o futuro ser revelado ao homem?

Em princípio, o futuro lhe é oculto e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja
revelado.

869. Com que fim o futuro se conserva oculto ao homem?

Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse. Não quis Deus que assim fosse, a fim de que cada um concorra para a realização das coisas, até daquelas a que desejaria opor-se. Assim é que tu mesmo preparas muitas vezes os acontecimentos que hão de sobrevir no curso da tua existência.

870. Mas, se convém que o futuro permaneça oculto, por que permite Deus que seja revelado algumas vezes?

Permite-o, quando o conhecimento prévio do futuro facilite a execução de uma coisa, em vez de a estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por que agiria, se lhe não fosse feita a revelação. Não raro, também é uma prova. [...] (grifos meus)
[2]

Ou seja, não é escopo do Espiritismo estudar o futuro dos acontecimentos, de uma forma geral. Isso pode acontecer, evidentemente, mas não da forma como as pessoas desejariam, pois como os próprios Espíritos deixam claro, “[...] se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade [...]”.

Já de outra feita escrevemos artigos falando sobre o tema do fim do mundo, tão decantado por determinados grupos de pessoas e que insistem em colocar tal conceituação dentro da Doutrina Espírita.

O preclaro Espírito de Emmanuel já se manifesta a respeito do assunto:

14 — Como compreender a afirmativa dos astrônomos relativamente à morte térmica do planeta?

— É certo que todo organismo material se transformará, um dia, revestindo novas formas. As energias do Sol, como as forças telúricas do orbe terrestre, serão esgotadas aqui, para surgirem noutra parte. [...]

Já se disse, porém, que a vida é o eterno presente. E o nosso primeiro dever não é o de contar o tempo, demarcando, em bases inseguras, a duração das obras conhecidamente sagradas para as edificações definitivas do nosso espírito, às quais são inacessíveis a todas as transformações da matéria, em face do Infinito.
[3] (grifo meu)
Compreendemos, então, que nossa maior necessidade é a reforma íntima, que propiciará a reforma de todo o planeta, pois que, à medida que retornarmos para este mundo reformados, melhorados, mais evangelizados, naturalmente, o planeta sairá da condição de mundo de expiações e provas e passará a ser um mundo de regeneração, onde:



De tudo o que foi exposto, concluímos que é de bom senso não aceitar tais teorias, que não passam pelo crivo da análise espírita e continuar nosso trabalho de reforma moral, tão importante para a nossa vida, para a nossa condição de Espíritos rebeldes.

[1] - KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 1996, 62. ed. cap. XXVI, item 289, p.381
[2] - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1995,76. ed. Cap. X, Q. 868/870, pp.396/397
[3] - XAVIER, Francisco Cândido, Espírito de Emmanuel. O Consolador. Rio de Janeiro: FEB AAA, XX. Ed. 1ª Parte, Q. 14
[4] - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1996, 112.ed. Cap, 3 nº 17, p.79

A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis. [4]

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