segunda-feira, 22 de junho de 2009

POR QUE MELINDRAMOS OS OUTROS?

Bastante decantado o problema do melindre em nossos arraiais: não devemos nos melindrar; cuidado com o melindre; fulano se melindra facilmente, e assim por diante.

Conceituemos, primeiramente, o vocábulo melindre, que no famoso Aurélio recebe as seguintes definições:
[Do esp. melindre.] Substantivo masculino. 1.Delicadeza no trato; amabilidade. 2. Hesitação de consciência; escrúpulo. 3. Recato, pudor. 4. Facilidade de magoar-se, de ofender-se; suscetibilidade. 5. Coisa frágil, delicada. 6. Bot. V. aspargo (1). [Var., nesta acepç.: melindro.] 7. Bolo em que entra mel. 8. Bras. Afetação, amaneiramento. [Cf. melindre, do v. melindrar.] ~ V. melindres. (grifo meu) [1]

O que mais nos interessa aqui é o nº 4: “facilidade de magoar-se, de ofender-se; suscetibilidade.” Quem não os tem? Atire a primeira pedra quem nunca se melindrou, em qualquer ambiente ou situação.

É, ainda, um traço negativo da nossa personalidade espiritual, que vem nos acompanhando durante séculos, refletindo a nossa imperfeição moral.

Inegavelmente, os Espíritos Amigos nos advertem para evitarmos tal comportamento, através do exercício da humildade, que não se conquista da noite para o dia, sem falarmos de nós mesmo que sempre que temos a oportunidade, apontamos o dedo em riste para salientar tal situação nos nossos companheiros.

Mas o objetivo desse artigo não é chover no molhado, mas sim, fazer um questionamento, como o próprio título sugere: por que melindramos os outros?

Sim, porque costumamos cobrar do próximo uma atitude contrária ao melindre, mas por que insistimos em atacá-lo e não queremos que se melindre, se ele ainda está em processo de evolução tanto quanto nós outros?

Devemos cobrar que as pessoas não se melindrem? Sim, acredito que sim, mas devemos ter em mente também, que não devemos provocar melindres, seja por atos ou palavras, em nosso próximo e, geralmente, ao melindrarmos o próximo, queremos que ele esteja em um nível no qual não seja atingido pelo ataque do melindre.

Vejamos um caso real: uma determinada pessoa, em uma instituição Espírita chegou para ajudar em determinada atividade e recebeu o seguinte comentário: “Gente demais atrapalha. Não precisamos de mais ninguém!” — ora, evidentemente que saiu “melindrada”. Perguntar-se-á: mas teria razão para tal? Certamente que, dentro dos ensinamentos Espíritas e Evangélicos, que não. Deveria perdoar e seguir em frente.

Agora, a pergunta que não quer calar: havia necessidade de um comentário desses? Claro que não. A pessoa poderia ter dito: “Realmente aqui já temos gente suficiente para tal atividade. Você poderia nos ajudar em outra?” ao invés de “não precisamos de mais ninguém!”

Fica aqui a nossa lembrança: não devemos nos melindrar, mas também não devemos melindrar ninguém.

[1] - Dicionário Eletrônico Aurélio.

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