domingo, 9 de maio de 2010

Pedro Camilo de Figueirêdo Neto - entrevista concedida à Revista Eletrônica O Consolador

ORSON PETER CARRARA
mailto:orsonpeter@yahoo.com.br
Matão, São Paulo (Brasil)

“O Espiritismo tem necessidade
de médiuns valorosos como Yvonne
A. Pereira”
 

Estudioso da obra de Yvonne do Amaral Pereira, o confrade de Salvador-BA destaca o trabalho da grande e saudosa médium, que foi em nosso meio um exemplo de trabalho e firmeza doutrinária.
 

Pedro Camilo de Figueirêdo Neto (foto), advogado, escritor, presidente do Núcleo Espírita Teles de Menezes, de Salvador-BA, onde nasceu e reside, é espírita desde os 13 anos de idade. Palestrante conhecido na Bahia e com atuação também na área
mediúnica, possui 4 livros publicados, sendo três deles focalizando a notável personalidade da médium Yvonne do Amaral Pereira e o último deles – Mente Aberta –, mediúnico, ditado pelo Espírito Bento José.

A entrevista que nos concedeu, abaixo transcrita, é rica de experiências.  
O Consolador:   De   onde   surgiu   o interesse pela obra literária de Yvonne do Amaral Pereira?
Esta pergunta me é sempre feita e quase sempre consigo fugir dela. Hoje, porém, posso afirmar sem receio: o interesse pela obra e a vida de Yvonne vem de sua presença em minha vida. Desde 1999 eu a sinto perto, presença que foi melhor se definindo com o tempo e que, no presente momento, se revela como um Espírito a quem me vinculo por laços muito fortes.

O Consolador: Como você sente ou avalia a contribuição da obra de Yvonne para formação do espírita consciente?  
Yvonne Pereira é o exemplo da verdadeira espírita e do médium seguro. Perfeição é algo impensável em nosso mundo, mas há pessoas que, pela sua postura, pela honestidade com as coisas do alto e pela dedicação à causa do bem, mostram-se como referências a serem seguidas. Assim é Yvonne. 

O Consolador: Nas pesquisas biográficas e literárias que fez nas obras de Yvonne, o que mais lhe chamou atenção? Por quê?  
O que mais me chama a atenção nas obras de Yvonne é sua fidelidade à proposta espírita, ao Evangelho de Jesus e sua determinação em vencer as más inclinações, a partir do trabalho árduo com a mediunidade. É um exemplo de médium desinteressada e humilde, traços revelados nas histórias de seus livros. Além disso, sua capacidade de transmitir os estilos de Bezerra de Menezes, Léon Tolstoi e Camilo Castelo Branco também salta aos olhos. Apesar de médium consciente, ela soube educar-se na filtragem mediúnica a ponto de permitir-se uma passividade tal que os Espíritos conseguiam transmitir seus estilos literários por seu intermédio.  

O Consolador: O comprometimento sério e claro de Yvonne com a obra da Codificação Espírita de Allan Kardec gerou livros de grande conteúdo doutrinário, esclarecendo e iluminando mentes. Como você percebe isso, em sua visão pessoal, nessa extraordinária contribuição doutrinária de Yvonne na consolidação do pensamento espírita?  
Enxergo como uma das contribuições mais fecundas para a consolidação e atualização do pensamento de Kardec. As obras Devassando o Invisível e Recordações da Mediunidade são tratados sobre mediunidade e vida de além-túmulo. Dramas da Obsessão é indispensável para quem lida com desobsessão. Nas Voragens do Pecado e Amor e Ódio são primores de literatura. À Luz do Consolador contém conceitos doutrinários muito precisos. Enfim, cada obra possui sua importância. 

O Consolador: Num possível encontro com Yvonne, espiritualmente considerado, durante seu parcial desligamento pelo sono, que pergunta você dirigiria a ela? 
Perguntaria sua opinião sobre como andam os espíritas e o movimento espírita. Talvez até já soubesse sua posição, mas tenho certeza de que ouviria dela observações e perspectivas que incomodariam a muita gente. Se Yvonne estivesse encarnada, certamente seria rejeitada pelo movimento, por conta de suas posições firmes...  

O Consolador: Na capacidade mediúnica de Yvonne, tão ampla e atuante, qual detalhe você destaca para os leitores?  
Destacaria suas mediunidades de cura e receitista, faculdades raras para os médiuns com potencialidade verdadeira. Yvonne conta que Dr. Bezerra e Eurípedes lhes ditavam receitas e que, com este último, pôde até curar paralíticos vítimas de obsessão. Também são destaques o desdobramento, meio através do qual ela conseguia melhor se afinizar com os Espíritos para a psicografia, bem como a psicofonia, com a qual atuava nas tarefas de desobsessão e no atendimento de Espíritos suicidas. 

O Consolador: Para os que se aproximam da Doutrina Espírita, qual dos livros de Yvonne você indicaria como primeira obra a ser conhecida?  
Eu indicaria À Luz do Consolador e Cânticos do Coração, vols. I e II, para os conceitos iniciais, e Pelos caminhos da mediunidade serena para as primeiras noções de mediunidade. Os romances e os livros de Tolstoi, também, são ótimas opções para quem gosta de boa literatura. 

O Consolador: Nos livros de sua autoria publicados sobre Yvonne – no estudo da mediunidade e nos relatos biográficos – você teria detalhes marcantes para trazer aos leitores, verificados durante a elaboração das obras?  
No livro Yvonne Pereira: uma heroína silenciosa, houve um momento em que pensei que tinha terminado o livro quando, pela madrugada, sentia uma presença espiritual dizendo que não e que era necessário levantar e ver o que estava errado. Fazendo isso, tomei dois livros e os abri a esmo, encontrando os detalhes importantes que faltavam para o trabalho. Para a elaboração desta obra, destaco também a maneira como acabei conhecendo quase todos os amigos ainda encarnados de Yvonne, como Hermínio Miranda e Jorge Rizzini, bem como o contato com seus familiares, em especial Mauro e Elisabeth Operti. Em Pelos caminhos da mediunidade serena, tive a colaboração ativa do Espírito Bento José na organização da obra, de tal modo que o prefácio do livro é, praticamente, todo escrito por ele. Foi até ele mesmo quem deu título ao texto, “no cinquentenário de memoráveis memórias...”. Hoje, que publicamos um livro de sua autoria, Mente Aberta, é fácil observar que o estilo do prefácio e do livro são bem parecidos. Foi ele que, praticamente, escreveu o prefácio. 

O Consolador: E como você sente hoje Yvonne, como Espírito desencarnado, que continua trabalhando? 
Sei que Yvonne continua vinculada ao Hospital Maria de Nazaré, descrito em Memórias de um Suicida, trabalhando pelos suicidas desencarnados. Tem atuado em alguns grupos mediúnicos, juntamente com alguns médiuns, mas sempre muito discreta. Vinculada a Dr. Bezerra de Menezes, prossegue em sua tarefa de amar e consolar, o que sempre constituiu o foco principal de sua atuação no movimento espírita.  

O Consolador: Quais as notícias mais recentes, vindas do plano espiritual, por Yvonne ou sobre ela? 
Como disse na resposta anterior, continua ela muito ativa. Às vezes ela vem até nós, no grupo em que trabalho, nunca por diversão ou sem propósito, mas coordenando atendimentos espirituais. Sabe-se de sua atuação ostensiva evitando suicídios. Alguns médiuns acusam ter recebido livros mediúnicos seus. Entretanto, do que conheço de sua personalidade e de seu critério, tenho dúvidas quanto à objetividade e à solidez de alguns livros que são apresentados como sendo seus. 

O Consolador: Suas considerações finais.  
O Espiritismo tem necessidade de médiuns valorosos que, espelhados nos exemplos de Yvonne do Amaral Pereira, não tenham receio de dar seu testemunho de seriedade e compromisso com a causa do bem. Ocupemo-nos com o estudo e o trabalho, caminhos indispensáveis para o alcançar desse desiderato, deixando de lado personalismos e atavismos para, juntos, auxiliarmos a todos os médiuns que, na atualidade, esforçam-se por caminhar por esses passos!


Fonte:
Revista Eletrônica O Consolador - Ano 4 - N° 157 - 9 de Maio de 2010, ttp://www.oconsolador.com.br/ano4/157/entrevista.html, acesso em 09/05/2010.

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