terça-feira, 4 de outubro de 2016

Entrevista: Allan Kardec - Kardec orienta os médiuns

Em 15 de janeiro de 1861, Allan Kardec lançava O Livro dos Médiuns, que ele considerou “Guia dos Médiuns e dos Evocadores”. Por ocasião do Sesquicentenário dessa efeméride, transcrevemos trechos do citado livro, em forma de entrevista com o Codificador, sobre temas sempre oportunos


Reformador: O senhor recebeu alguma orientação ou indicação para desempenhar importante missão?
Allan Kardec: “Os Espíritos me disseram: ‘Sim, e se observares as tuas aspirações, as tuas tendências e o objeto quase constante das tuas meditações, não te surpreenderás com o que te foi dito. Tens que cumprir aquilo com que sonhas desde longo tempo. É preciso que nisso trabalhes ativamente, para estares pronto, pois o dia está mais próximo do que supões. [...] Deixa que a Providência faça a sua obra e serás satisfeito”.1

Reformador: Qual o objetivo de O Livro dos Médiuns?
Allan Kardec: “O objetivo consiste em indicar os meios de desenvolver a faculdade mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de maneira proveitosa, quando não existir a faculdade”.2

“Esperamos que ela contribua para imprimir ao Espiritismo o caráter sério que constitui a sua essência e para evitar que haja quem nele veja objeto de frivolidade e de divertimento”.2

Reformador: Qual o conceito de médium?
Allan Kardec: “Médium é toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos. Essa faculdade é inerente ao homem e, por conseguinte, não constitui um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que não possuam alguns rudimentos dessa faculdade. Pode-se, pois, dizer que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação só se aplica àqueles em quem a faculdade se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva”.3

Reformador: Como comprovar a mediunidade?
Allan Kardec: “Infelizmente, não dispomos até hoje de nenhum meio para diagnosticar, ainda que de forma aproximada, que alguém possua essa faculdade. [...] Só existe um meio de se comprovar sua existência: é experimentar”. 4

Reformador: Como identificar o Espírito comunicante? 
Allan Kardec: “Pela natureza das comunicações. Estudai as circunstâncias e a linguagem e distinguireis. [...] É por isso que vos digo: estudai e observai”.5

“A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. De fato, os Espíritos não nos trazem uma carteira de identidade [...] Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela linguagem. Se um Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele. Porém, se as coisas que diz são dignas do caráter de Fénelon e este não as desaprovaria, haverá, quando não uma prova material, pelo menos toda probabilidade moral de que seja de fato ele. É principalmente nesse caso que a identidade real se torna uma questão acessória”.6

Reformador: Os Espíritos podem nos revelar o futuro?
Allan Kardec: “Se o homem conhecesse o futuro, não cuidaria do presente. [...] a manifestação dos Espíritos não é um meio de adivinhação. [...]”

“Pode acontecer que o Espírito preveja coisas que julgue conveniente revelar, ou que ele tem por missão tornar conhecidas. Porém, é nesses casos que se deve desconfiar ainda mais dos Espíritos mistificadores, que se divertem em fazer previsões. Só o conjunto das circunstâncias permite que se verifique o grau de confiança que elas merecem”.7

Reformador: E informações sobre vidas anteriores e futuras?
Allan Kardec: Sobre as vidas anteriores:
“Deus algumas vezes permite que elas vos sejam reveladas, conforme o objetivo. Se for para vossa edificação e instrução, as revelações serão verdadeiras e, nesse caso, feitas quase sempre espontaneamente e de modo inteiramente imprevisto. Ele, porém, jamais o permite para satisfação da vã curiosidade”.
Sobre existências futuras:

“[...] tudo que os Espíritos vos disserem a tal respeito não passará de gracejo, e isso se compreende facilmente: a vossa existência futura não pode ser determinada de antemão, pois dependerá do vosso proceder na Terra e das resoluções que tomardes no estado de Espíritos”.7

Reformador: Qual seria a grande dificuldade dos médiuns?
Allan Kardec: Da dissertação de Joana d’Arc: “Espero que esta comunicação produza frutos e desejo que ela possa ajudar os médiuns a se manterem atentos contra o escolho que os faria naufragar. Esse escolho, eu já o disse, é o orgulho”.8

Reformador: Mediunidade seria o primeiro tema ou estudo para neófitos?
Allan Kardec: “Diremos, porém, a quem desejar ocupar-se seriamente da matéria, que primeiro leia O Livro dos Espíritos, porque contém princípios fundamentais sem os quais talvez seja difícil a compreensão de algumas partes desta obra”.9

“Todo ensino metódico deve partir do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido é a matéria; parti, pois, da matéria e tratai, antes de tudo, de convencê-lo, pela observância da própria matéria, de que há nele alguma coisa que escapa às leis da matéria. Numa palavra, antes que o torneis ESPÍRITA, cuidai de torná-lo ESPIRITUALISTA”.10

Reformador: Como devem ser entendidas as reuniões espíritas?
Allan Kardec: “Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, quanto mais homogêneo for esse feixe, tanto mais força terá”.11

“Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais de toda reunião séria, compreende-se facilmente que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrárias à homogeneidade”.11

Reformador: O que é importante para os grupos mediúnicos?
Allan Kardec: “Já vimos como é importante a uniformidade de sentimentos para a obtenção de bons resultados. Essa uniformidade é tanto mais difícil de obter-se quanto maior for o número de pessoas. Nas pequenas reuniões, onde todos se conhecem melhor, há mais segurança quanto à eficácia dos elementos que para elas entram. [...] Ora, vinte grupos de quinze a vinte pessoas obterão mais e farão muito mais pela propaganda, do que uma assembleia de trezentos ou de quatrocentos indivíduos”.11

Reformador: E as reuniões de estudo?
Allan Kardec: “Além disso, as reuniões de estudo são de grande utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, sobretudo para aqueles que desejam seriamente aperfeiçoar-se e que a elas não comparecem dominados pela tola presunção de infalibilidade. Como já tivemos ocasião de dizer, uma das grandes dificuldades da mediunidade é a obsessão e a fascinação”.11

Reformador: E as Sociedades Espíritas?
Allan Kardec: “Tudo o que dissemos sobre as reuniões em geral se aplica naturalmente às sociedades regularmente constituídas [...]”. Após se referir ao objetivo moral, completou: “Uma Sociedade, onde aqueles sentimentos se achassem partilhados por todos, onde os seus componentes se reunissem com o propósito de se instruírem pelos ensinos dos Espíritos, e não na expectativa de presenciarem coisas mais ou menos interessantes, ou para fazer que a opinião de cada um prevalecesse, seria não só viável, mas também indissolúvel”.11

Reformador: Qual seria a causa de antagonismos entre Sociedades Espíritas?
Allan Kardec: “Todos devem concorrer, embora por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propagação da verdade. Os antagonismos não passam do orgulho superexcitado; fornecem armas aos detratores e poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender”.11

Reformador: Qual é o objetivo da mediunidade?
Allan Kardec: “Este dom de Deus não é concedido ao médium para o seu deleite e, ainda menos, para satisfação de suas ambições, mas para a sua melhora espiritual e para que os homens conheçam a verdade”.12

Reformador: E qual seria a finalidade do Espiritismo?
Allan Kardec: “Se o Espiritismo deve, conforme foi anunciado, promover a transformação da Humanidade, é claro que ele só poderá fazê-lo pelo melhoramento das massas, o que se dará gradualmente, pouco a pouco, em consequência do aperfeiçoamento dos indivíduos.

[...] A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário, em torno do qual já temos a ventura de ver tantos homens reunidos, em todas as partes do globo, por compreenderem que aí está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma Nova Era para a Humanidade”.13

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