quinta-feira, 23 de junho de 2011

Raul Teixeira responde

– Percebe-se que o movimento espírita tem sido invadido por ideias similares à autoajuda, com traços de salvacionismo e de individualismo, enquanto as pessoas, de modo geral, se distanciaram da questão social e da prática do bem. Como resgatar o amor ao próximo na prática espírita?

Raul Teixeira: Considerando-se que o Movimento Espírita é a formação dos humanos em torno do Espiritismo, no sentido de promover a sua divulgação por variados meios, sempre que ele esteja sob comandos ineptos e despreparados para esse comando, sofrerá as consequências dessa incapacidade.
Uma divina proposta, como é o Espiritismo, que está na Terra para renovar a vida da humanidade, não precisa somente de sentimentos amorosos, mas também de pensamentos amadurecidos. Eis a razão do amai-vos e instruí-vos, deixado pelo Espírito de Verdade.

Quando afirmamos, então, que o Movimento Espírita tem sido invadido seja pelo que for, cabe-nos atinar para quem vem permitindo a invasão, senão os que o dirigem sem as devidas condições de amorosidade ou de instrução.

Se há maus textos ou maus livros é porque há quem os elabore, quem os ache maravilhosos, quem os publique, quem os venda (inclusive nos centros espíritas) e, naturalmente, quem os consuma. São textos que “não comprometem”, não propõem esforços de autorrenovação, enfim, não incomodam... mas também não divulgam o Espiritismo. Apenas ocupam espaço.

Se há maus discursos na boca de malfadados discursadores, levando à tribuna espírita suas vaidades, seus “achismos”, seu rol interminável de chistes de gosto duvidoso, por um lado, ou suas mensagens sombrias, apavorantes, pessimistas ou piegas, por outro, é porque há quem de tudo isso goste, quem isso aplauda e difunda. Levam mensagens que não fazem pensar, que não chamam à responsabilidade, que nada acrescentam aos esforços pela transformação da intimidade do ser. Não expõem o Espiritismo em sua lucidez, em sua lógica. Apenas ocupam espaço.

O retorno do Movimento Espírita aos trilhos indispensáveis somente ocorrerá quando cada espiritista, honesto para com o Espiritismo, assumir o seu papel de estudioso e praticante de seus ensinamentos, sem tibieza, sem timidez, mas com a ousadia dos bons. Assim, ao dirigir qualquer instituição ou veículo de divulgação do Espiritismo, a eles imprimirá o caráter lúcido e lógico da nobre mensagem, o que será razoável filtro à penetração de tudo o que não corresponde à proposta do Consolador.

Enquanto as pessoas capacitadas abrirem mão de assumir compromissos nas áreas diversas do Movimento Espírita, justificando falta de tempo, comodidades, exigências sociais, etc., o Movimento estará, sem dúvida, sob outros comandos, muitas vezes de pessoas sérias e de boa vontade, mas sem o conhecimento espírita e sem a firmeza, sem o pulso forte, exigidos pelas sociedades de um mundo em reforma.

Continuaremos, então, a ver o Movimento Espírita invadido por isso e por aquilo, por esses e por aqueles – que acham os princípios espíritas muito rígidos ou ultrapassados – apondo seus produtos psíquicos (algumas vezes psiquiátricos), que vão se distanciando da prática genuinamente espírita, da busca da visão de Deus e do amor ao próximo.

Extraído de entrevista concedida especialmente a esta revista em 30 de abril de 2011



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