quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Aborto não realizado

A gravidez veio na hora indesejada, lembrava-se Laura.
Veio na hora errada e ainda trazia riscos de várias ordens.
A saúde debilitada, problemas familiares, o desemprego...
Seu primeiro impulso foi o aborto. Tomou uns chás que, em vez de resolver, a debilitaram ainda mais.
Recuperada, buscou uma dessas pessoas que arrancam, ainda no ventre, o chamado problema das mães que não desejam levar adiante a gestação.
Naquele dia, a parteira havia adoecido e faltara.
Laura voltou para casa preocupada, mil situações lhe passavam pela mente.
À noite, deitou-se e custou a adormecer, mas foi vencida pelo sono. No sonho, viu um belo jovem pedindo-lhe algo que, na manhã seguinte não soube definir.
Durante todo o dia não conseguiu tirar aquela imagem da mente, de sorte que esqueceu a gravidez.
Na noite seguinte voltou a sonhar com o mesmo jovem, só que acordou com a agradável sensação de tão doce quanto agradável Obrigado.
Era como se ainda visse seus lábios pronunciando palavras de agradecimento, enquanto de seu coração irradiava uma paz indefinível.
Desistiu do aborto.
Enfrentou tudo, superou todos os riscos e saiu vitoriosa...
Hoje, passados vinte e três anos do episódio, ouve emocionada seu belo e jovem filho pronunciar, do púlpito da solenidade de sua formatura, ante uma extasiada multidão:
...Agradeço sobretudo à minha mãe, que me alimentou o corpo e o Espírito, dando-me não só comida, mas carinho, companhia, amor e, principalmente, vida.
E, olhando-a nos olhos, o filho pronunciou, num tom inconfundível:
Obrigado!
Ela não teve dúvidas. Foi o mesmo Obrigado, doce e agradável de um sonho, há vinte e três anos...
*   *   *
A mulher que nega o ventre ao filho que Deus lhe confia, nega a si mesma a oportunidade de ouvir a cantiga alegre da criança indefesa a rogar-lhe carinho e proteção.
Perde a oportunidade de dar à luz um Espírito sedento de evolução, rogando-lhe uma chance de reencarnar, para juntos superarem dificuldades e estreitarem laços de amizade e afeto.
Se você, mulher, está passando pela mesma situação de Laura, mire-se no seu exemplo e permita-se ser mãe.
Permita-se sentir, daqui alguns meses, o agradecimento no olhar do pequenino que lhe roga o calor do colo e uma chance de viver.
Conceda-se a alegria de, daqui alguns anos, ornamentar o pescoço com a joia mais valiosa da face da Terra: os bracinhos frágeis da criança, num abraço carinhoso a lhe dizer:
Obrigado, mamãe, por ter me permitido nascer e crescer, e fazer parte desse Mundo negado a tantos filhos de Deus.
*   *   *
Todos nós voltaremos a nascer um dia...
Se continuarmos negando oportunidades de reencarnação aos Espíritos com os quais nos comprometemos antes do berço, talvez estejamos negando a nós mesmos a chance de uma mãe ou pai, no futuro.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita, com base em história
publicada no Jornal 
Caridade, de maio/junho 1997.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. FEP.
Em 17.6.2013.

PRECE DE NATAL

PRECE DE NATAL

Senhor Jesus, tamanha é a Tua grandeza, que ultrapassa todas as do Universo e da razão; o espaço, o tempo, o infinito, acima dos quais a cruz da Tua tragédia espantosa parece maior que os voos da metafísica, as imensidades do cálculo e as hipóteses do sonho.

Daí a palavra e a imaginação recuam assombradas, balbuciando. A criatura sente o Teu amor.

De onde, porém, Tu penetras no coração de todos com a doçura de uma carícia universal, é daquele presépio, onde a Tua bondade amanheceu um dia no sorriso de uma criança.

Enquanto César cuidava do império, e Roma do mundo, Tu surgias ao canto de uma província e na vileza de um estábulo, sem que Roma, nem o império, nem César Te percebessem, para ficar à posteridade a lição indelével de que a política ignora sempre os seus mais formidáveis interesses.

Tiveste por berço as palhas de um curral. A última das mães sentir-se-ia humilhada, se houvesse de reclinar o fruto do seu regaço naquele sítio, onde recebeste os primeiros carinhos da Tua.

Mas a manjedoura, onde, só, abriste os olhos à primeira luz, espalha até hoje o perfume da mais estranha poesia, e o dia do Teu natal fez-se para a cristandade o mais famoso dia da Terra, o dia azulado e cor-de-rosa entre todos, como o céu da manhã e o rosto das crianças.

Elas, de geração em geração, ficaram sabendo para todo o sempre a história do Teu nascimento.

E nessas festas do seu contentamento e da sua inocência tens, ó Senhor dos mansos e dos fracos, dos humildes e dos pequeninos, a parte mais límpida do Teu culto, o raio mais meigo da Tua influência benfazeja.

Esses ritos infantis estrelam de alegria as neves polares, orvalham de suave umidade os fulgores tropicais, estendem o firmamento debaixo dos nossos tetos e, dentro do nosso Espírito mortificado, inquieto, triste, põem uma hora de alvorada feliz.

Cristo, como Te sentimos bom quando Te vemos entre as crianças, e quando as crianças Te encontram entre si.

Despindo a Tua majestade toda, para caberes num seio de mulher e no tamanho de um pequenito, assentaste sobre as almas um império sutil e irresistível, por onde a espontaneidade da nossa adoração continuamente se renova e embalsama nas origens da vida.

Todos aqueles, pais, irmãos, ou benfeitores, a quem concedeste a bênção de amar um menino, e o tem nos braços, veem nele a Tua imagem, a cópia, idealizada pela fé e pelo amor, do eterno tipo do belo.

Divinizando a infância, nascendo e florescendo como ela, deixaste à espécie humana a recordaçãomais amável e celeste da Tua misericórdia para conosco.

De cada casa, onde permitiste que gorjeie e pipile neste dia um desses ninhos tecidos pela providência das mães, se estão exalando para Ti as súplicas e os hinos do nosso alvoroço.

Por essas criaturinhas, Senhor, em especial Te pedimos. Elas que se ensaiam para a nova vida e necessitam de estradas propícias ao progresso, para bem cumprirem as suas missões, no lar abençoado da Terra.

Cura a nossa pátria da aridez da alma, semeando a Tua semente nesta geração que desponta.
Permite, enfim, que nossos filhos possam celebrar com os seus, em dias mais ditosos, a alegria do Teu Natal.

Redação do Momento Espírita, com base  na Prece de Natal, de Rui Barbosa. Em 22.12.2014.

Fonte: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4335&stat=0 - acesso em 24/12/2014 - 10h08min

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